Sergei Eisenstein

A forma do filme

Prefácio, doze ensaios e a Declaração sobre o cinema sonoro (1928–1946). Só Eisenstein.

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1928–1929

Conflito

Montagem como choque. O plano é célula; da colisão nasce o conceito. Kabuki, ideograma, haicai, Sharaku. Os cinco métodos de montagem.

Ensaios
Conceitos que nascem aqui
1932–1935

Tratamento e discurso interior

A relação do autor com o material entra em cena. Monólogo interior, linguagem cinematográfica, pensamento sensorial. Revisão do cinema intelectual.

Ensaios
Conceitos que nascem aqui
1939–1946

Orgânico, pathos, síntese

A obra como organismo; o salto qualitativo; o cinema como síntese das artes; a imagem de montagem contra a montagem paralela.

Ensaios
Conceitos que nascem aqui
Cada setor é uma fase. O conceito fica no setor do ensaio onde aparece pela primeira vez; as linhas mostram em que outros ensaios ele volta e a que conceitos leva.
Setor:Ordem:
1928Conflito · 1928–1929Apêndice

Declaração sobre o futuro do cinema sonoro

Assinada com Pudovkin e Alexandrov · Apêndice do livro

O que o som vai fazer com a montagem?

O som pode destruir a montagem ou ampliá-la. Se for colado à imagem de modo naturalista (o filme falado), cada plano fica mais pesado, mais autônomo, e a justaposição — que é onde a montagem age — enfraquece. A saída é usar o som como elemento independente: não-sincronizado, em contraponto, polifônico.

Teses
  • A montagem é o meio básico que deu ao cinema sua força emocional; uma novidade técnica vale pelo quanto amplia a montagem.
  • Som e imagem colados aumentam a 'inércia' de cada peça e atacam a justaposição.
  • O primeiro trabalho com som deve ir na linha da não-sincronização, rumo a um contraponto orquestral de imagens visuais e sonoras.
  • O som resolve dois impasses do cinema mudo: a legenda e os planos explicativos que retardam o ritmo.
Passagens
APENAS UM USO POLIFÔNICO do som com relação à peça de montagem visual proporcionará uma nova potencialidade no desenvolvimento e aperfeiçoamento da montagem.
O PRIMEIRO TRABALHO EXPERIMENTAL COM O SOM DEVE TER COMO DIREÇÃO A LINHA DE SUA DISTINTA NAO-SINCRONIZAÇÃO COM AS IMAGENS VISUAIS.
Conceitos em jogo
Como ferramentaAo montar som: perguntar se o som está apenas confirmando o que a imagem já diz (adesão) ou se cria um segundo fio que conversa com ela (contraponto).
1928Conflito · 1928–1929Ensaio 2 no livro

Uma inesperada junção

Sobre a visita do teatro Kabuki a Moscou

O que um teatro antigo japonês ensina ao cinema sonoro?

O Kabuki não usa música, voz, movimento e cenário como 'acompanhamento' uns dos outros. Cada elemento tem o mesmo peso e todos visam uma única provocação do espectador. Isso é o que o cinema sonoro precisa aprender: passar um mesmo efeito de um material a outro (da imagem ao som, do som ao gesto).

Teses
  • Monismo de conjunto: som, movimento, espaço e voz não se acompanham — funcionam como elementos de igual significância.
  • Já em 1923, nas 'atrações', ele punha um sinal de igualdade entre elementos de categorias diferentes.
  • Transferência: o objetivo afetivo passa de um material para outro.
  • No Kabuki 'ouvimos movimento' e 'vemos som'. Para dominar o contraponto audiovisual é preciso um novo sentido: reduzir visão e audição a um 'denominador comum'.
  • Os extremos se encontram: a percepção não-diferenciada do Kabuki e a montagem, que é o auge de sentir e resolver o mundo de modo diferenciado.
Passagens
Som — movimento — espaço — voz, aqui, não acompanham (nem mesmo são paralelos) um ao outro, mas funcionam como elementos de igual significância.
Na realidade "ouvimos movimento" e "vemos som".
Transferindo o objetivo afetivo básico de um material para outro, de uma categoria de "provocação" para outra.
Exemplos dele
  • Givochini: 'o que não puder cantar com a voz, mostro com as mãos'.
  • Yarunosuke deixa o castelo: quatro mudanças — passos, troca de telão, cortina que 'apaga', samisen (som).
  • Chushingura: corte para paisagem de neve vazia; depois a flauta repete a mesma paisagem com atores em cena. Paralelo com as pausas antes do 'Fogo!' em Potemkin.
  • Haraquiri de Ichikawa Ennosuke: movimento da mão e som soluçante fora do palco ao mesmo tempo.
  • Tanka e escrita japonesa: hieróglifos e alfabetos juntos.
Conceitos em jogo
Como ferramentaDiante de uma cena: qual é o efeito único que ela deve provocar? Que material carrega esse efeito agora (luz, corte, som, gesto)? Ele poderia passar a outro material no momento de maior tensão?
fev. 1929Conflito · 1928–1929Ensaio 3 no livro

Fora de quadro

Também conhecido como 'O princípio cinematográfico e o ideograma'

Onde está o princípio da montagem fora do cinema?

Na cultura japonesa, a montagem está em toda parte, menos no cinema japonês. O ideograma junta dois desenhos de objetos e produz um conceito que não pode ser desenhado. Isso é montagem. O plano não é um tijolo que se soma a outros: é uma célula, e a montagem nasce do conflito, da colisão.

Teses
  • 'A cinematografia é, em primeiro lugar e antes de tudo, montagem.'
  • Ideograma: a combinação de dois hieróglifos não é soma, é produto — um valor de outra dimensão. Ponto de partida do cinema intelectual.
  • Haicai e tanka são 'frases de montagem', listas de planos: detalhes de um tipo de material criam uma representação de outro tipo, psicológica.
  • Sharaku desproporciona o rosto segundo a expressão psíquica; o cinema faz o mesmo com o tempo, desmontando o evento e remontando-o 'sob nosso ponto de vista'.
  • O plano não é elemento, é célula da montagem. Montagem é conflito; a ligação (Pudovkin, Kuleshov) é um caso especial.
  • Conflito dentro do plano é montagem em potencial: aumentando de intensidade, rompe o quadro e vira montagem entre planos.
  • A posição da câmera é o conflito entre a lógica organizadora do diretor e a lógica inerte do objeto.
Passagens
O plano não é um elemento da montagem.
O plano é uma célula da montagem.
Conflito dentro do plano é montagem em potencial
Desbastar pedaço da realidade com o machado da lente.
Exemplos dele
  • Água + olho = chorar; orelha + porta = ouvir; boca + criança = gritar; faca + coração = tristeza.
  • Haicais de Basho, Kikaku, Buson, Kyoroku.
  • Desenho infantil 'acender o fogão': os fósforos são enormes porque importam.
  • Escola japonesa de desenho: o aluno enquadra um galho de cerejeira com quadrado, círculo e retângulo — 'Ele enquadra um plano!'
  • Kabuki: troca de maquiagem em vez de transição (Narukami); agonia interpretada membro a membro (Shocho); haraquiri em câmera lenta.
  • A linha geral: a cena da desnatadeira fragmentada nos dois polos — confiança e desilusão.
Conceitos em jogo
Como ferramentaOlhar um plano isolado e perguntar: que conflito já existe dentro dele (direções, escalas, volumes, luz, objeto × moldura)? Esse conflito pode 'explodir' para o próximo plano?
abr.–nov. 1929Conflito · 1928–1929Ensaio 4 no livro

Dramaturgia da forma do filme

Escrito em alemão; publicado como 'Um enfoque dialético da forma do filme'

Existe uma dramaturgia da forma visual tão precisa quanto a do enredo?

Arte é sempre conflito: na sua função social, na sua natureza e no seu método. O movimento no cinema nasce da superposição de duas imagens, não da sucessão. Daí sai uma lista de tipos de conflito (gráfico, de planos, de volumes, espacial, de luz, de tempo, ótico × acústico) e uma 'tentativa de sintaxe do cinema' que vai do fisiológico ao intelectual.

Teses
  • Arte é conflito (1) pela missão social, (2) pela natureza — existência orgânica × tendência criativa, (3) pela metodologia.
  • Na interseção de Natureza e Indústria está a Arte: excesso de lógica racional vira mapa topográfico; excesso de lógica orgânica vira falta de forma.
  • 'A quantidade de intervalo determina a pressão da tensão.' A forma espacial do dinamismo é a expressão; as fases da tensão, o ritmo.
  • Montagem épica (planos como blocos que desenrolam uma ideia) × montagem dramática (ideia que nasce da colisão de planos independentes). 'Épico' e 'dramático' aqui se referem à forma, não ao enredo.
  • Os quadros são percebidos 'não em seguida, mas em cima do outro': da superposição nasce uma dimensão mais elevada.
  • Cinema = síntese do contraponto espacial (gráfico) e do temporal (música): contraponto visual.
  • Legenda, plano e montagem são três fases de uma mesma tarefa de expressão — como fala, gesto e mise-en-scène na expressão humana.
  • Sintaxe: movimento artificial lógico e ilógico; dinamização emocional (associação); liberação da ação do tempo e espaço; dinamização intelectual.
Passagens
Porque a arte é sempre conflito:
A quantidade de intervalo determina a pressão da tensão.
Porque, na realidade, cada elemento seqüencial é percebido não em seguida, mas em cima do outro.
Em minha opinião, porém, a montagem é uma idéia que nasce da colisão de planos independentes — planos até opostos um ao outro: o princípio "dramático".
Exemplos dele
  • Lautrec, Cissy Loftus: pé na posição A, joelho em A+a, tronco em A+a+a — 'A figura se torna viva e dando pontapés!'
  • Outubro: metralhadora com peças de dois quadros; Cristo barroco × máscara de Uzume = explosão.
  • Potemkin: pincenê e olho sangrando; três leões de mármore que se levantam.
  • A greve: fuzilamento intercalado com o abate de um touro (dinamização emocional).
  • Outubro, erro admitido: harpas sobre os discursos mencheviques — 'paralelismo puramente literário'.
  • Outubro: Kerensky subindo a mesma escada sob títulos cada vez mais altos; a sequência dos deuses (dinamização intelectual).
  • Projeto não filmado: um assassinato construído por acúmulo livre de material associativo, sem seguir o enredo.
Conceitos em jogo
Como ferramentaAntes de cortar: qual é o intervalo entre estes dois planos (de direção, escala, luz, tempo)? Grande demais vira pausa ou ruptura; pequeno demais vira ligação neutra.
jul. 1929Conflito · 1928–1929Ensaio 5 no livro

A quarta dimensão do cinema

Publicado num número dedicado ao cinema sonoro

O que acontece quando não se monta só pela característica dominante do plano?

A montagem 'ortodoxa' junta planos pela dominante (o que salta à vista: tempo, direção, comprimento). Mas a dominante é relativa e o plano tem muitos outros estímulos — como os harmônicos de uma nota. A linha geral foi montado pela soma de todos esses estímulos: montagem 'atonal'. Essa harmonia não se vê na mesa de montagem, só aparece na projeção, no tempo — a quarta dimensão.

Teses
  • Montagem ortodoxa = montagem sobre a dominante, 'em conformidade com o que salta em primeiro plano'.
  • A dominante é relativa: só se revela na combinação, e a combinação depende dela.
  • O quadro nunca é letra do alfabeto; é sempre ideograma multissignificativo, lido em justaposição. Um plano-guia 'batiza' a sequência.
  • Igualdade 'democrática' de todos os estímulos × 'aristocracia' das dominantes.
  • A 'sensação' do plano é a soma fisiológica das suas vibrações.
  • A harmonia visual, como a musical, não está no quadro parado nem na escala: só existe no processo — tempo somado ao espaço.
  • Revisão de 1928: visual e auditivo não se reduzem a um denominador comum (são dimensões diferentes), mas ambos são sensação fisiológica. Nova fórmula: 'Eu percebo'.
Passagens
O quadro cinematográfico nunca pode ser uma inflexível letra do alfabeto, mas deve ser sempre um ideograma multissignificativo.
Para ambos, uma nova fórmula uniforme deve entrar em nosso vocabulário: "Eu percebo".
Exemplos dele
  • Velho grisalho, velha grisalha, cavalo branco, telhado de neve: a sequência vai para 'velhice' ou para 'brancura'?
  • O sex-appeal de uma estrela: textura do vestido, luz, tipo nacional, classe — muitos estímulos, um efeito.
  • A linha geral: procissão montada por 'graus de saturação de calor'; sequência da fazenda por 'carnivorismo'.
  • Na mesa de montagem, parada, a procissão parecia incompreensível; projetada, funcionava.
Conceitos em jogo
Como ferramentaRever uma sequência em movimento, não só na timeline parada. Listar os estímulos secundários de cada plano (textura, temperatura, peso, ruído da imagem) e ver se algum deles está conduzindo o corte sem que você tenha decidido.
Nota sobre a tradução — Nesta edição, 'atonal' traduz o que Eisenstein chama de montagem overtonal — de harmônicos ou sobretons, as vibrações que soam junto com a nota principal. O termo é da tradução, não dele.
set.–dez. 1929Conflito · 1928–1929Ensaio 6 no livro

Métodos de montagem

Continuação de 'A quarta dimensão'

A montagem 'atonal' é invenção nova ou um degrau de algo que já existia?

Cinco métodos, cada um nascendo do conflito com o anterior: métrico (comprimento), rítmico (comprimento × movimento dentro do quadro), tonal (o 'som' emocional do plano), atonal (todos os estímulos somados) e intelectual (sons e harmônicos de tipo intelectual). Os métodos só viram construção quando entram em conflito entre si.

Teses
  • Métrica: comprimentos absolutos, como compassos; tensão por aceleração (encurtar mantendo a proporção). Relações simples — complexidade excessiva vira caos (só se mede 'com régua').
  • O ritmo pode ser irreconhecível, mas é indispensável: faz a 'pulsação' do filme e a da plateia baterem juntas.
  • Rítmica: o conteúdo do quadro também decide o comprimento; tensão também pela violação do esquema.
  • Tonal: o movimento em sentido amplo — vibração de luz, agudeza gráfica, foco. Mensurável, mas com outras unidades.
  • Atonal: cálculo coletivo de todos os apelos do fragmento; percepção diretamente fisiológica.
  • Cada passagem nasce de um conflito: comprimento × movimento; rítmico × tonal; dominante × atonalidade.
  • Efeitos: métrica = força motora; rítmica = emotiva-primitiva; tonal = emotiva-melódica; atonal = volta à força motora em grau mais alto. 'Assim, tom é um nível do ritmo.'
  • Intelectual: a mesma agitação, agora nos centros nervosos superiores. O cinema intelectual ainda está por vir: resolver o conflito entre harmonia fisiológica e intelectual.
Passagens
Assim, tom é um nível do ritmo.
Sua clareza pode fazer funcionar em uníssono a "pulsação" do filme e a "pulsação" da platéia.
Uma cinematografia verdadeira só começa mesmo com a colisão de várias modificações cinematográficas de movimento e vibração.
Exemplos dele
  • Concurso de segadura em A linha geral: planos 'sinônimos' cada vez mais curtos; parte da plateia balançava junto.
  • Escadaria de Odessa: os pés dos soldados chegam fora do tempo do corte; o carrinho de bebê leva a descida ao próximo nível — 'degrau a degrau' vira 'de roldão'.
  • Neblina no porto (Potemkin): tom menor lírico, consonância; do cinza-escuro ao branco.
  • Colheita sob tempestade (A linha geral): tom menor trágico, dissonância; do cinza-claro ao negro-grafite.
  • Erro: a dança de máscaras em Tempestade sobre a Ásia, ritmo métrico complexo desajustado do conteúdo.
  • Sequência dos deuses em Outubro: escala intelectual descendente.
Conceitos em jogo
Como ferramentaDiagnóstico de uma sequência: em que camada ela está sendo montada (comprimento, movimento, tom, estímulos somados, ideia)? Onde duas camadas poderiam entrar em conflito para gerar o salto?
Nota sobre a tradução — 'Atonal' = overtonal (montagem de sobretons/harmônicos). Ver nota em 'A quarta dimensão'.
jul. 1932Tratamento e discurso interior · 1932–1935Ensaio 7 no livro

Sirva-se!

Na edição inglesa: 'Um curso sobre tratamento'

Como ensinar (e aprender) a direção — e o que é o 'tratamento'?

O cinema não deve 'divertir', deve fazer o espectador 'se servir': atrair e dar munição. Direção se aprende atravessando um processo criativo inteiro, do primeiro sinal do tema ao botão da roupa do figurante. No centro está o tratamento: o ponto de vista do autor sobre o material, que reorganiza tudo e acaba gerando novas formas. Foi assim que nasceu o monólogo interior.

Teses
  • 'Atrair, não divertir.' Entretenimento é só o lado quantitativo de se apoderar do material.
  • Comparar um fato com outro fato, não com uma ideia; construir processo e método ao mesmo tempo, a partir do concreto.
  • Composição é trabalho (Dumas, Hugo), não lampejo: 'de posições metodológicas preconcebidas, nada brota' — mas energia sem método produz ainda menos.
  • 'A arte está no fato de cada fragmento de um filme ser uma parte orgânica de um conjunto organicamente concebido.'
  • Entre o esqueleto do slogan e a pele da forma falta carne e músculo.
  • O tratamento muda tudo: em Uma tragédia americana, Clyde 'não é culpado' — o crime é a soma das relações sociais.
  • Monólogo interior: a câmera entra no personagem; pensamento e realidade externa intercalados. 'A forma da montagem, como estrutura, é uma reconstrução das leis do processo do pensamento.'
  • O verdadeiro material do cinema sonoro é o monólogo, não o diálogo. Ressalva: a forma do pensamento não precisa ter o pensamento como assunto.
Passagens
A tarefa do cinema é fazer com que a platéia "se sirva", não "diverti-la". Atrair, não divertir.
A arte está no fato de cada fragmento de um filme ser uma parte orgânica de um conjunto organicamente concebido.
Porque a forma da montagem, como estrutura, é uma reconstrução das leis do processo do pensamento.
O verdadeiro material do cinema sonoro é, evidentemente, o monólogo.
Exemplos dele
  • Gogol: Ivan Ivanovich oferece rapé com cerimônias; Ivan Nikiforovich só diz 'Sirva-se!'.
  • A gênese de O conde de Monte Cristo: ilha avistada, história de vinte páginas, colaborador, Faria.
  • Uma tragédia americana: no barco, Clyde quer matar mas não consegue; o acidente acontece; a mãe silencia diante do governador.
  • Roteiro do monólogo: imagens com som, sons sem forma, palavras secas, tela preta, só nomes, só verbos, silêncio total.
Conceitos em jogo
Como ferramentaAntes de decupar: qual é o meu tratamento — o que eu penso deste fato e deste personagem? Essa posição aparece na escolha de cada cena ou só no tema?
1934Tratamento e discurso interior · 1932–1935Ensaio 1 no livro

Do teatro ao cinema

Ensaio de abertura do livro

Que caminho levou do palco ao cinema, e o que ele revela do específico do cinema?

O cinema tem dois aspectos: fragmentos fotográficos da natureza (o plano) e sua combinação (a montagem). Outras artes também fazem isso; o específico do cinema está no grau. O plano resiste à modificação muito mais que a palavra ou a nota, e é essa resistência que torna a montagem tão rica. O percurso no teatro (eventos reais em cena, excentrismo, cenas intercaladas) já continha tipagem e montagem.

Teses
  • Plano + montagem: o específico do cinema não está no processo, mas no grau em que é intensificado.
  • Notas e cores se fundem numa unidade orgânica (violeta, não dupla exposição); o plano é 'mais resistente do que o granito'.
  • O cinema revela, ampliado, um processo que ocorre microscopicamente em todas as artes.
  • No teatro: 'eventos' (cinema) × 'reações aos eventos' (teatro).
  • Tipagem: abordagem dos eventos com mínimo de interferência no seu curso natural — não só usar rostos sem maquiagem.
  • Um fragmento fica neutro até ser associado a outro; então ganha sentido mais intenso, às vezes oposto ao planejado.
  • Mise-en-cadre: assim como a mise-en-scène relaciona pessoas em ação, a mise-en-cadre relaciona quadros dependentes na sequência.
  • Autocrítica: a massa como herói foi um desvio necessário; agora o enredo volta, de forma nova.
Passagens
O plano, considerado como material para a composição, é mais resistente do que o granito.
O menor fragmento "distorcível" da natureza é o plano; engenhosidade em suas combinações é montagem.
Dois pequenos cortes reverteram todo o significado desta cena!
Exemplos dele
  • O mexicano (1920): a luta de boxe feita de verdade no meio da plateia.
  • Máscaras de gás numa fábrica real: 'O carro caiu aos pedaços, e o motorista caiu no cinema.'
  • O sábio: Glumov pula entre dois palcos, dois diálogos colidindo.
  • Danton e Robespierre: dois cortes transformaram uma cusparada numa lágrima.
  • Madame Bovary: discurso na praça × conversa dos amantes.
Conceitos em jogo
Como ferramentaNa filmagem: deixar o mundo acontecer diante da câmera (tipagem) e guardar a interferência para a combinação dos fragmentos.
mai. 1934Tratamento e discurso interior · 1932–1935Ensaio 8 no livro

Eh! Sobre a pureza da linguagem cinematográfica

Resposta, pelo cinema, a Gorki sobre a linguagem literária

Por que o cinema aceita uma 'escrita' descuidada que a literatura não aceitaria?

O cinema falado esqueceu a cultura da escrita cinematográfica. Montagem não é excesso formalista: é composição para quem sabe, sintaxe para quem não sabe compor, ortografia para os piores. Planos bonitos soltos viram cartões-postais. Como exemplo de rigor, uma análise de catorze planos de Potemkin, plano a plano, com um erro admitido.

Teses
  • Montagem: 'o mais poderoso meio de composição para se contar uma história' — ou sintaxe, ou ortografia, conforme o nível de quem monta.
  • 'Quanto melhores os planos, mais perto fica o filme de uma reunião desconectada de frases adoráveis.'
  • 'Não sou a favor, de modo algum, da "hegemonia" da montagem.' Mas a qualidade da sintaxe cinematográfica não pode regredir.
  • Cada plano deve entrar na sequência com o cuidado de um verso no poema ou de uma nota na fuga.
  • Usar imagens de outras épocas pode falhar quando não pertencem ao sentimento do presente.
  • Lentes, ângulo e luz são para o plano o que a fonética é para a palavra.
  • Não voltar ao enredo antigo: ir 'para a história à nossa frente'.
Passagens
Para quem sabe, montagem é o mais poderoso meio de composição para se contar uma história.
Quanto melhores os planos, mais perto fica o filme de uma reunião desconectada de frases adoráveis, uma vitrine cheia de produtos bonitos e não-relacionados, ou um álbum de paisagens de cartão-postal.
Não sou a favor, de modo algum, da "hegemonia" da montagem.
Exemplos dele
  • Dnieper no início de Ivan (Dovjenko): câmera flutuando, água imóvel cortada — Gogol transposto.
  • Germinal recortado em estrofes como hexâmetros.
  • Catorze planos de Potemkin (barcos e povo de Odessa): verticais, arco, círculo, dois → três figuras, a vela que vira bandeira. Erro em IX: deveria ser 2:3:2:1.
Conceitos em jogo
Como ferramentaExercício de análise: pegar 10–15 planos seguidos de um filme seu e descrever só linhas, massas, direções e números (quantas figuras), como ele faz com Potemkin. Onde a sequência 'erra'?
jan. 1935Tratamento e discurso interior · 1932–1935Ensaio 9 no livro

A forma do filme: novos problemas

Conferência no Congresso dos Trabalhadores do Cinema Soviético

O que resta do cinema intelectual e da montagem depois da volta do herói e do enredo?

O cinema intelectual foi um limite, uma redução ao paradoxo: tomou a marcha do pensamento como conteúdo. Mas descobriu algo certo: as leis do discurso interior — o pensamento sensorial, pré-lógico — são as leis de construção da forma em todas as artes. A obra de arte vive de uma 'unidade dupla': sobe à consciência mais clara e, ao mesmo tempo, desce pela forma às camadas do pensamento sensorial.

Teses
  • Cinema intelectual: 'restaurar a plenitude emocional do processo intelectual' — e também 'reductio ad paradox' da hipertrofia da montagem.
  • Teorias que caem como ciência sobrevivem como arte (mitologia, fisiognomonia): válidas como método de construção, desastrosas se tomadas como conteúdo.
  • O monólogo interior pode servir para construir coisas, não só para ilustrar um monólogo interior.
  • As leis do discurso interior estão na base de toda a variedade de leis da forma e da composição.
  • Pars pro toto: a parte vale pelo todo (o monóculo do médico); efeito sensorial-emocional, não lógico-informativo.
  • Composição-eco: todos os elementos 'emitem o mesmo código' da cena — ou o contrário, de propósito.
  • Unidade dupla: ascensão à consciência + mergulho no pensamento sensorial. Só a lógica = seco, didático; só o sensorial = caos.
  • 'A essência está em filmar expressivamente' — nem enfeite, nem 'filmar direto, não importa como'.
Passagens
A essência está em filmar expressivamente.
A dialética de uma obra de arte é construída sobre uma "unidade dupla" muito curiosa.
Exemplos dele
  • O monóculo do médico de Potemkin, pendurado no cordame.
  • Lear: a tempestade interior ecoa a tempestade na charneca.
  • O ator entre 'eu' e 'ele'; o espectador que sabe que é teatro e mesmo assim chora.
  • A frase do bosquímano registrada por Wundt: uma sequência de ações concretas que lembra um roteiro de filmagem.
  • A língua klamath, que não tem 'andar', só modos de andar — o ator precisa desdobrar 'ele se aproxima'.
  • 'Era uma vez uma velha' em vez de 'Uma velha vivia': o verbo antes do nome.
Conceitos em jogo
Como ferramentaNum trecho escrito ou filmado: onde ele sobe para a ideia clara e onde desce para o sensorial (parte pelo todo, eco, ritmo, ordem verbo-nome)? Se só um dos dois movimentos existe, a obra fica seca ou caótica.
1939Orgânico, pathos, síntese · 1939–1946Ensaio 10 no livro

Sobre a estrutura das coisas

Reescrito depois como 1º capítulo de 'A natureza não-indiferente'

Como a composição mostra a atitude do autor diante do que mostra?

A composição tira sua estrutura da estrutura da emoção humana — por isso é 'profundamente humana'. No caso simples, a forma imita o sentimento da coisa (alegria alegre). No caso complexo, a forma vem da relação do autor com a coisa. Potemkin serve de exemplo: obra orgânica (construída pela mesma lei que rege a natureza) e patética (cada parte salta para a qualidade oposta, como o espectador em êxtase que 'sai de si').

Teses
  • O problema central: 'retratar uma atitude em relação à coisa retratada'.
  • Composição se apodera dos elementos estruturais dos fenômenos e do comportamento emocional humano.
  • Quando o tema exige mais (a 'morte que afirma a vida'), o esquema vem da relação do autor com a coisa, não das emoções da coisa.
  • Orgânico de tipo geral: uma lei rege a obra e todas as partes. Orgânico de tipo particular: a obra segue a mesma lei dos fenômenos naturais — e o espectador, parte da natureza, se funde a ela.
  • Potemkin: crônica que funciona como tragédia em cinco atos; cada ato dividido em duas metades por uma cesura; cada metade salta para a qualidade oposta.
  • Pathos = êxtase, 'sair de si': sentado → de pé, mudo → grito. A estrutura patética repete esse salto em todos os níveis.
  • Salto de qualidade (água → vapor) é fórmula de desenvolvimento, não de crescimento.
  • Não se chega lá por receita: só quando tema e ideia viram unidade com a existência do autor, e com rigor formal.
  • Post-scriptum: o excentrismo do teatro (raiva = salto para trás no trapézio) já era o pathos — cômico em condição estática, patético em processo dinâmico.
Passagens
E por esta razão que a composição real é sempre profundamente humana
Prosa visualmente rítmica salta para discurso visualmente poético.
Em resumo — quando o espectador é forçado "a sair de si mesmo".
Exemplos dele
  • A maçã vista pela criança e pelo dono da casa (Kafka).
  • Bach: cada voz é uma pessoa; quem não tem o que dizer espera a sua vez.
  • Cavaleiros de ferro: a cunha alemã modelada no terror crescente; coração → cascos.
  • Ana Karenina: o abraço dos amantes descrito como um assassinato (relação do autor).
  • Mademoiselle Fifi (Maupassant): a prostituta com a estrutura do oficial nobre; o oficial com a estrutura de Naná.
  • Escadaria de Odessa: caos → ritmo; para baixo → para cima (a mãe); correr → rolar (carrinho); muitos fuzis → um canhão; prosa → poesia (leões).
  • 'Irmãos!': da célula do navio ao organismo da frota.
Conceitos em jogo
Como ferramentaDuas perguntas por cena: (1) a forma está copiando o sentimento da coisa ou a minha relação com ela? (2) onde está o ponto de salto — e para qual qualidade oposta?
1939–1940Orgânico, pathos, síntese · 1939–1946Ensaio 11 no livro

Realização

Título original: Gordost ('Orgulho')

O que o cinema realiza que as outras artes buscaram em vão?

O cinema é a síntese das artes que se separaram depois dos gregos — não um 'concerto' de artes lado a lado, mas síntese orgânica. Cada arte copia um aspecto do homem e esbarra num limite (o corpo, a ação, a harmonia emocional). O cinema pode ser, ao mesmo tempo, épico no conteúdo, dramático no tratamento e lírico na nuance da experiência do autor.

Teses
  • Pintura ganha formas mutantes; escultura sai da imobilidade; música ganha imagem concreta; literatura vira percepção audiovisual.
  • Unidade real de massa e indivíduo, de homem e espaço: a paisagem como parte orquestral.
  • Cada arte 'copia' algo: escultura — o corpo; pintura — corpos e natureza; literatura — realidade e homem; teatro — comportamento; música — harmonias internas de fenômenos apreendidos emocionalmente.
  • Joyce: composição em dois níveis, 'ultralírica' — preço: a dissolução do método literário.
  • As tentativas de síntese no teatro (perfumes, gaze, a palavra que cria o cenário) levaram ao anti-realismo; no cinema as mesmas metas aumentam o realismo.
  • 'Revelação do lirismo aprisionado nos versos': só o cinema.
  • Tripla síntese: épico, dramático e lírico ao mesmo tempo.
  • 'Ninguém, sem aprender completamente todos os segredos da mise-en-scène, pode aprender montagem.'
Passagens
Ninguém, sem aprender completamente todos os segredos da mise-en-scène, pode aprender montagem.
não um "concerto" de artes coexistentes, contíguas, "ligadas", mas na realidade independentes.
Exemplos dele
  • Encontro com a esquadra: as máquinas como o coração coletivo do navio; o ritmo como a experiência do autor imaginando-se no navio.
  • A voz do narrador vinda de fora da ação (do narrador do Kabuki às legendas e ao comentário falado).
  • O ator de teatro no 'estreito portão' da tela.
  • 'As duas cabeças de Alexandre' (1926): teatro e cinema — reconhecido depois como fato da sua biografia.
Conceitos em jogo
Como ferramentaNum trecho do seu filme: qual é o eixo épico (o que acontece), o dramático (como você trata) e o lírico (a nuance de você ali dentro)? Falta algum?
1943–1944 (rev. 1946)Orgânico, pathos, síntese · 1939–1946Ensaio 12 no livro

Dickens, Griffith e nós

O ensaio mais longo do livro

De onde vem a montagem de Griffith — e em que a nossa é diferente?

Griffith tirou de Dickens o primeiro plano 'atmosférico', os personagens menores vivos e, sobretudo, a montagem paralela. Mas a montagem paralela reflete uma visão dualista (rico × pobre, duas linhas que só se encontram no infinito). A montagem soviética busca outra coisa: unidade que se divide pelas contradições e se reúne numa imagem nova. Daí o 'grande plano' (que significa, não só aproxima), o tropo de montagem e a imagem de montagem.

Teses
  • Os dois lados de Griffith (o íntimo e o das perseguições) vêm ambos de Dickens.
  • Dickens tinha 'qualidade ótica': primeiro plano, composição de quadro, mudança de ênfase.
  • Oliver Twist: modelo de montagem paralela — os dois velhos e o relógio × a captura de Oliver.
  • A escola de Griffith é uma escola de tempo (andamento); o ritmo verdadeiro pressupõe unidade orgânica.
  • A montagem paralela é cópia de uma visão dualista do mundo.
  • 'Grande plano' (russo) × close-up (inglês): ligado ao valor do que é visto, não à distância.
  • Tropo de montagem: fundir em vez de alternar. Intolerância falhou porque juntou quatro histórias sem abstrair um fenômeno comum.
  • A metáfora está no berço da linguagem; a montagem é cópia exata da linguagem do discurso emocional excitado.
  • As leis da montagem estão, por fim, no discurso interior. A meta: a imagem de montagem — do episódio ao filme inteiro.
  • Montagem vertical (audiovisual): fim do paralelismo mecânico entre som e imagem.
Passagens
Entre os norte-americanos, o termo está ligado à visão.
Entre nós — ao valor do que é visto.
Ao paralelismo e alternância de primeiros planos dos Estados Unidos oferecemos o contraste de uni-los em fusão: o TROPO DE MONTAGEM.
Porque o princípio de montagem, como toda a individualidade de sua formação, é a substância de uma cópia exata do idioma de um excitado discurso emocional.
Exemplos dele
  • 'A chaleira começou...' (O grilo na lareira) como primeiro plano griffithiano.
  • Dombey: 'tendo previamente trancado a porta do quarto' fora do lugar — uma montagem da ação na frase.
  • Oliver Twist cap. XXI: a manhã de feira montada em blocos, do visual ao sonoro.
  • A paródia de John Phoenix (1853): o 'primeiro plano' da dentadura do mesmo tamanho que o vagão tombado.
  • Erros: o berço de Intolerância; a mulher nua em Terra (Dovjenko) cercada de detalhes domésticos.
  • Excessos próprios: harpas e balalaicas em Outubro; Palácio e fortaleza como contraste 'contemplativo'.
  • Acertos: os três leões ('as próprias pedras rugem'); o gelo em Mãe.
Conceitos em jogo
Como ferramentaNum paralelismo seu (duas linhas alternadas): elas apenas correm juntas até se cruzar, ou há um momento em que viram uma só imagem? O que você precisa abstrair de cada uma para que a fusão aconteça?
ago. 1946Orgânico, pathos, síntese · 1939–1946Prefácio

Prefácio

Escrito para reunir os ensaios

O que só o cinema pode fazer?

O cinema, em meio século, explorou uma parte mínima das suas possibilidades. A questão não é o que já foi feito, mas o que só pode ser criado com os meios do cinema. A montagem foi a marca da percepção de um acontecimento reconstituída pela consciência do artista; a televisão empurra esse processo para o próprio instante da percepção. Os ensaios são degraus — alguns podem ter envelhecido.

Teses
  • 'A questão é — o que pode ser feito no cinema, o que só pode ser criado com os meios do cinema.'
  • A síntese das artes no cinema ainda não tem solução definitiva.
  • A montagem é a marca da 'marcha real de uma percepção' reconstruída pelo prisma de um artista.
  • Televisão: interpretação estética no instante do acontecimento.
  • Os ensaios podem ter envelhecido; valem como degraus de uma escada coletiva.
Passagens
A questão é — o que pode ser feito no cinema, o que só pode ser criado com os meios do cinema.
A montagem nada mais era do que a marca, mais ou menos perfeita, da marcha real de uma percepção de um acontecimento reconstituído através do prisma de uma consciência e de uma sensibilidade de artista.
Conceitos em jogo
Como ferramentaPergunta de partida para qualquer projeto: o que aqui só o cinema faria?
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Eisenstein × Eisenstein

Pontos em que o próprio livro mostra o autor revendo o que tinha dito.

Enredo
1924 · Do teatro ao cinemaLembra que escreveu 'Fora com a história e o enredo!'.
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1934 · Do teatro ao cinemaO enredo 'volta de uma forma nova a seu lugar apropriado'. Em 'Eh!' (1934): ir 'para a história à nossa frente'.
Denominador comum
1928 · Uma inesperada junçãoPara dominar o contraponto é preciso reduzir percepções visuais e auditivas a um 'denominador comum'.
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1929 · A quarta dimensão do cinema'Não podemos reduzir' — são de dimensões diferentes; o que as une é a sensação fisiológica: 'Eu percebo'.
Cinema intelectual
1929 · Métodos de montagemAnunciado como síntese de ciência, arte e militância; meta do cinema.
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1935 · A forma do filme: novos problemasFoi 'reductio ad paradox': confundiu forma e conteúdo (identidade em vez de unidade). Mas revelou a lei do pensamento interior.
Hegemonia da montagem
1929 · Fora de quadro'A cinematografia é, em primeiro lugar e antes de tudo, montagem.'
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1934 · Eh! Sobre a pureza da linguagem cinematográfica'Não sou a favor, de modo algum, da "hegemonia" da montagem.' A ênfase anterior foi tática e pedagógica.
Monólogo interior
1932 · Sirva-se!Nasce do tratamento de Uma tragédia americana: 'o verdadeiro material do cinema sonoro'.
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1935 · A forma do filme: novos problemasO que importa é a ressalva entre parênteses: o monólogo serve para construir, não só para ilustrar um pensamento.
Harpas e símbolos
1929 · Dramaturgia da forma do filmeAs harpas sobre os mencheviques: 'paralelismo puramente literário'.
→
1944 · Dickens, Griffith e nósHarpas e balalaicas: excessos 'barrocos' de uma fase de tropos ingênuos, necessária para chegar ao discurso cinematográfico normal.
Massa e herói
1934 · Do teatro ao cinemaA massa como herói foi 'um desvio necessário'.
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1935 · A forma do filme: novos problemasO herói individual surge de dentro do estágio anterior — Marfa Lapkina em A linha geral; tarefa: tornar o novo estágio 'sintético'.
Teatro × cinema
1926 · Realização'As duas cabeças de Alexandre': o teatro seria absurdo ao lado do cinema.
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1940 · Realização'Era eu que estava crescendo': fato da sua biografia; e montagem não se aprende sem mise-en-scène.
Conflito → salto
1929 · Fora de quadroMontagem é colisão, conflito entre planos.
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1939 · Sobre a estrutura das coisasO conflito vira salto para a qualidade oposta, em todos os níveis da obra orgânica e patética.
Excentrismo → pathos
1923 · Do teatro ao cinemaRaiva expressa por uma cambalhota; atrações; circo.
→
1939 · Sobre a estrutura das coisasMesmo método: o salto, cômico em condição estática, vira patético em processo dinâmico.

Conceitos × ensaios

Cada linha é um conceito (em ordem de primeira aparição); cada coluna, um ensaio em ordem de escrita.

Montagem
Contraponto audiovisual / polifonia
Ideograma / hieróglifo
Atrações
Monismo de conjunto
Transferência
Denominador comum / 'Eu percebo'
Pausa / cesura
Plano (célula da montagem)
Conflito
Montagem épica × montagem dramática
Contraponto visual
Interpretar sem transições / ação desintegrada
Enquadramento
Desproporção
Cinema intelectual
Intervalo e tensão
Superposição
Irregularidade
Princípio de comparação
Dinamização emocional / montagem de associação
Dinamização intelectual
Liberação da ação do tempo e do espaço
Tropo de montagem
Dominante
Plano-guia
Montagem 'atonal' (de sobretons)
Quarta dimensão
Montagem métrica
Montagem rítmica
Montagem tonal
Montagem intelectual
Pictorialismo × cinematismo
Ritmo × andamento (tempo)
Salto qualitativo
'Sirva-se!' (atrair × divertir)
Tratamento
Monólogo interior
Discurso interior
Orgânico
Mise-en-cadre
Tipagem
Linguagem cinematográfica / pureza
Enredo / argumento
Montagem paralela
Pensamento sensorial
Pars pro toto (parte pelo todo)
Composição-eco (o 'código' da cena)
'Eu' e 'ele'
Unidade dupla
Atitude / relação do autor
Recanalização / troca de estruturas
Pathos / êxtase
Síntese das artes
Tripla síntese (épico, dramático, lírico)
Grande plano (× close-up)
Abstração
Imagem de montagem
Montagem vertical (audiovisual)

Como foi feito

Fonte única: o texto do livro (ed. brasileira, Jorge Zahar, 2002). Só entra o que é de Eisenstein — os ensaios, o prefácio, a Declaração e as notas assinadas por ele (N.S.E.). Ficaram de fora a introdução da edição e as notas do tradutor e do editor. A exceção é uma nota de vocabulário, sinalizada onde aparece: "atonal" é escolha da tradução para a montagem overtonal (de sobretons). As passagens entre aspas são literais; o resto está em linguagem direta. O agrupamento em três setores é deste mapa, não do livro.
1928–1929

Conflito

Montagem como choque. O plano é célula; da colisão nasce o conceito. Kabuki, ideograma, haicai, Sharaku. Os cinco métodos de montagem.
1932–1935

Tratamento e discurso interior

A relação do autor com o material entra em cena. Monólogo interior, linguagem cinematográfica, pensamento sensorial. Revisão do cinema intelectual.
1939–1946

Orgânico, pathos, síntese

A obra como organismo; o salto qualitativo; o cinema como síntese das artes; a imagem de montagem contra a montagem paralela.

Ordem no livro: Prefácio · Do teatro ao cinema · Uma inesperada junção · Fora de quadro · Dramaturgia da forma do filme · A quarta dimensão do cinema · Métodos de montagem · Sirva-se! · Eh! Sobre a pureza da linguagem cinematográfica · A forma do filme: novos problemas · Sobre a estrutura das coisas · Realização · Dickens, Griffith e nós · Declaração sobre o futuro do cinema sonoro

Acompanha: glossário-raiz em .md para o Obsidian.